A Evolução da Liderança: Um Novo Modelo para os Tempos Atuais

Nos últimos anos tivemos a oportunidade de vivenciar um marco histórico que trouxe consigo desafios sem precedentes. Empresários e líderes em todo o mundo se depararam com duas questões cruciais: a queda no faturamento e o desafio de engajar suas equipes, além da necessidade de assumir um protagonismo ainda mais forte na liderança.

E continuamos lidando com as dores e as consequências desse período de pandemia ainda hoje – e talvez o façamos ainda por alguns anos. 

As relações mudaram, incluindo as relações de trabalho #fato

O modelo de liderança anterior, baseado em controle e previsibilidade, já não funciona mais. 

A “má notícia” é que precisamos adotar uma nova postura, um novo modo de liderar. Não caia no discurso de adaptação ao “novo normal”; isso não existe! Falar em um “novo normal” é um equívoco, pois se algo é normal, é rotineiro; se é novo, não é rotina.

Já a boa notícia é que estamos todos no mesmo patamar, nos redescobrindo como líderes. Essa é uma jornada nova e desafiadora para todos nós.

A pandemia despertou em muitas pessoas o medo, mas também trouxe consigo uma oportunidade de renascimento. 

Estávamos acostumados a viver no piloto automático, sempre esperando pelo futuro: o dia em que me aposentar… quando chegar o final de semana… quando eu estiver de férias…

No entanto, quando a morte bateu à nossa porta, independentemente de classe social, crenças, idade ou qualquer outra coisa, aprendemos a valorizar a vida e a viver o momento presente.

A pandemia também trouxe à tona tudo o que estava debaixo do tapete. Mudanças e quebras de paradigmas tornaram-se inevitáveis. Fomos obrigados a olhar para o agora, a revisitar nossas vidas, profissões e relacionamentos. 

Nesse contexto, o significado do trabalho passou por uma profunda transformação. 

As pessoas perceberam que não vendem apenas sua hora de trabalho, mas sim sua hora de vida. 

Essa nova perspectiva é uma experiência que não pode ser apagada.

Diante de tantas mudanças, muitos profissionais tomaram a decisão silenciosa de renunciar aos seus empregos; afinal de contas, já não faz mais sentido trocar a companhia da família durante o almoço por 2 horas de trânsito para chegar ao escritório ou trocar o conforto do sofá para trabalhar por ter que colocar um salto alto só para impressionar os colegas de trabalho (que, por sua vez, não estão nem aí para o seu sapato novo!).

Então, a demissão voluntária se tornou uma realidade.

A cultura organizacional tóxica, a falta de autonomia, a imposição de poder, as tarefas engessadas, a carga de trabalho excessiva e o assédio são alguns dos principais motivadores desse contexto.

Além disso, a insegurança gerada pela reestruturação organizacional, a falta de reconhecimento e de valorização, a baixa qualidade na resposta à pandemia e o excesso de inovação contribuíram para que os profissionais não se sentissem pertencentes ao ambiente de trabalho.

Diante desse cenário, capacitar as lideranças tornou-se uma prioridade ainda maior do que a digitalização. 

É fundamental desenvolver líderes que sejam capazes de enfrentar os desafios e inspirar suas equipes. 

Uma pesquisa da Great Place to Work* revelou que, em 2022, o maior desafio do RH era a adoção de novas políticas/formatos de trabalho e agora, em 2023, essa prioridade é o desenvolvimento e a capacitação da liderança.

Estamos construindo um novo estilo de vida e estabelecendo novas relações de trabalho. É necessário adotar um modelo de empresa e gestão que priorize a benevolência, a consciência, a integração e o empoderamento de todos os envolvidos.

A benevolência, ou seja, demonstrar bondade ou boa vontade em relação a outras pessoas, é um princípio fundamental desse novo modelo. Os líderes devem agir com bondade e compaixão, entendendo o impacto de suas ações e assumindo a responsabilidade de cuidar das pessoas. 

Eles são os guardiões do bem-estar e do desenvolvimento de suas equipes.

Em um mundo extremamente polarizado, a vida exige integração. As pessoas buscam significado e propósito em seu trabalho, desejam sentir que estão contribuindo para algo maior. Os líderes devem integrar todos em torno de um propósito comum, construindo um senso de unidade e colaboração.

Além disso, é essencial empoderar todas as gerações dentro da organização. Os líderes devem valorizar as diversas perspectivas e habilidades que cada geração traz consigo, promovendo um ambiente inclusivo onde todos se sintam valorizados e ouvidos.

A liderança benevolente requer coragem para deixar para trás antigos paradigmas e trilhar novos caminhos. É preciso romper com estruturas e formas de estar que não mais atendem às demandas atuais. Isso implica em uma quebra total de padrões e uma nova forma de pensar e viver.

Adaptabilidade e capacidade de lidar com o desconhecido são características-chave para os líderes nesse novo modelo. 

Em um mundo de incertezas constantes, eles devem ser capazes de se adaptar rapidamente, abraçar mudanças e aprender com elas. É necessário abrir mão do controle excessivo e abraçar a fluidez e a flexibilidade.

Os líderes também devem compreender a interconexão de todas as coisas que nos une. Suas escolhas e ações afetam o todo, e eles devem ter consciência disso. 

A lei do retorno entra em jogo, e é fundamental agir com responsabilidade e em benefício de todos.

Ser um líder nesse novo modelo implica em ser um guia, um mestre, um professor. 

Os líderes devem compartilhar conhecimentos, inspirar e capacitar suas equipes. Eles devem ter força de alma, colocando o ser acima do cargo e entendendo que sua essência e propósito são mais importantes do que sua posição hierárquica.

Por fim, a evolução da liderança é um processo contínuo. Os líderes devem estar em constante desenvolvimento, buscando aprimorar suas habilidades e expandir seus horizontes. 

A aprendizagem é essencial nesse novo modelo, permitindo que os líderes se adaptem às demandas em constante mudança e continuem a evoluir junto com suas equipes.

Estamos vivendo tempos de transformação profunda, onde a liderança precisa evoluir para um novo modelo. 

A benevolência, a consciência, a integração e o empoderamento são pilares fundamentais desse novo estilo de liderança. Os líderes que abraçarem essa mudança estarão preparados para enfrentar os desafios do futuro e criar um ambiente de trabalho positivo, produtivo e significativo.

À medida que nos adaptamos a um mundo pós-pandemia, é essencial que os líderes priorizem o desenvolvimento de suas habilidades de liderança. Isso não apenas beneficiará suas equipes, mas também impulsionará o sucesso e a sustentabilidade de suas organizações.

A pesquisa da Great Place to Work revelou que a prioridade no desenvolvimento de lideranças superou a preocupação com a comunicação interna e, até mesmo, a saúde mental.

Isso reflete a compreensão crescente de que liderança eficaz é um fator-chave para o sucesso organizacional. 

Capacitar os líderes a adotar um novo modelo de liderança é crucial para enfrentar os desafios atuais e futuros.

A liderança benevolente e consciente é capaz de inspirar e engajar equipes, construir culturas organizacionais saudáveis e promover um senso de propósito e significado no trabalho. 

Os líderes devem se concentrar em integrar todos os colaboradores em torno de um propósito maior, encorajando o empoderamento de cada indivíduo e valorizando suas contribuições únicas.

Além disso, os líderes devem estar dispostos a abandonar antigas estruturas e formas de estar, abrindo espaço para a inovação e a mudança. 

Eles devem estar preparados para lidar com o desconhecido, abraçar a incerteza e se adaptar rapidamente às transformações do mercado e da sociedade.

A evolução da liderança não é um processo estático, mas sim um caminho contínuo de aprendizado e desenvolvimento. 

Os líderes devem buscar constantemente aprimorar suas habilidades, adquirir novos conhecimentos e estar abertos a diferentes perspectivas. Isso inclui investir em programas de capacitação e desenvolvimento de liderança, bem como buscar mentoria e networking para expandir sua visão e conhecimento.

O futuro das empresas dependerá de líderes que sejam capazes de criar ambientes de trabalho saudáveis e inspiradores, onde todos os colaboradores se sintam valorizados, engajados e motivados a alcançar resultados excepcionais.

A evolução da liderança para um novo modelo é essencial para atender às demandas de um mundo em constante transformação.

Portanto, convido todos os líderes a abraçar essa jornada de evolução, a explorar novas abordagens e a desenvolver habilidades que os capacitem a liderar com benevolência, consciência e integração. Juntos, podemos construir um novo estilo de liderança que inspire e transforme não apenas as organizações, mas também a vida das pessoas que nelas trabalham.

No próximo dia 22 de maio às 19h, vou compartilhar mais sobre esse tema e a minha visão na palestra “A evolução da liderança: desafios e oportunidades na era da mudança.”

Você está convidada/o para participar e contribuir com o seu olhar.

Para receber o acesso à sala, sinalize sua intenção de participar aqui..

Até lá!
Soani Vargas

* Relatório Tendências de Gestão de Pessoas 2023 de 15/02/23(https://gptw.com.br/conteudo/#downloads)

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