Como Envolver a Liderança nas Ações de Educação Corporativa: Um Guia Prático e Direto

Hoje, vamos mergulhar em um tema que frequentemente me faz coçar a cabeça: como podemos fazer com que a liderança se envolva mais nas ações de educação corporativa? Está mais do que na hora de deixar de lado a ideia de que educação corporativa é algo que só diz respeito à área de T&D (Treinamento e Desenvolvimento).

Por Que Isso Importa?

Primeiro de tudo, você e eu sabemos que educação corporativa não é um luxo, é uma necessidade. Mas, para colher os benefícios, é crucial que a liderança esteja a bordo. Afinal, são eles que aprovam orçamentos, dão aval para estratégias e influenciam a cultura da empresa.

A realidade é que, se a Educação Corporativa fosse um navio, a área de T&D seria o motor que o impulsiona, mas a liderança seria o leme que direciona seu curso. E veja bem, um motor potente não serve de nada se o navio está indo na direção errada, concordam?

Aqui vai um dado da série “É óbvio, mas não é bem assim…”: empresas que contam com o envolvimento direto da liderança em suas iniciativas de Educação Corporativa têm taxas de sucesso significativamente mais altas*. E isso se refere a ROI positivo, equipes mais engajadas e até crescimento no mercado.

Mas, não para por aí! O envolvimento da liderança reverbera em toda a cultura da organização. Quando os líderes estão engajados, isso envia uma mensagem clara a todos os colaboradores: a aprendizagem é importante aqui.

E vamos ser honestos, numa era onde o aprendizado contínuo é o novo normal, essa é uma mensagem que você definitivamente quer que sua empresa esteja enviando.

Primeiro Passo: Fale a Língua deles

Não adianta entrar em uma reunião falando sobre “engajamento do aluno” e “metodologias ativas de aprendizagem” se a liderança está pensando em ROI e indicadores de negócio. Faça uma tradução!

E como fazer isso:
– Entenda os Objetivos de Negócios

Antes de mais nada, entenda quais são os objetivos estratégicos da empresa. Isso vai te dar uma visão clara de como as iniciativas de T&D podem apoiar essas metas.

Parece óbvio, mas você ficaria surpreso com quantos de nós pulam essa etapa!

– Converse com Eles

Em vez de apresentar um monte de jargões técnicos e gráficos elaborados que só fazem sentido para quem está imerso em T&D, que tal traduzir tudo isso para a linguagem dos negócios?

ROI, crescimento de mercado, eficiência operacional: estes são termos que qualquer líder entenderá e valorizará.

– Apresente Resultados

Líderes são movidos por resultados. Então, quando você falar sobre as vantagens da Educação Corporativa, já chegue com dados que comprovem o retorno sobre o investimento.

E aqui, estou falando de números mesmo: percentual de melhora na produtividade, redução do turnover, aumento nas vendas, etc.

– Alinhe as Métricas

Toda organização tem suas métricas de desempenho. Descubra quais são e alinhe as métricas de T&D a elas.

 Isso não só torna mais fácil para a liderança entender o valor do que você está fazendo, mas também torna mais claro para você como melhorar e ajustar suas estratégias.

Falar a língua da liderança não é sobre abandonar o que você sabe sobre Educação Corporativa e Design Instrucional, mas sim sobre ser o tradutor entre dois mundos.

É sobre conectar os pontos de forma que todos na organização vejam o valor e o potencial das iniciativas de T&D.

Ao fazer isso, você não só ganha o apoio da liderança, mas também eleva o T&D de um “custo necessário” para um “investimento estratégico”.

E vamos ser sinceros, quem não quer estar nesse segundo grupo, não é mesmo?

Mostre os Números

Ahhh, números! Quem não ama uma boa métrica, não é mesmo? Se você quer que a liderança preste atenção, apresente dados que comprovem o impacto das ações de educação corporativa.

Use métricas que façam sentido para eles, como redução de turnover ou aumento da produtividade, veja:

– ROI, ROI, ROI

Se há uma métrica que os líderes amam, essa métrica é o ROI (Retorno sobre Investimento). Quanto mais você puder traduzir os resultados do treinamento em termos de ROI, mais fácil será para eles entenderem o valor da Educação Corporativa.

Por exemplo, se um treinamento reduziu o tempo necessário para concluir uma tarefa em 20%, calcule quanto isso economiza em termos de horas de trabalho e custos operacionais.

– Turnover e Retenção

Outro número que faz os olhos da liderança brilharem é a taxa de turnover e retenção de colaboradores. Se você pode mostrar que a Educação Corporativa teve um impacto positivo na retenção de talentos, você já tem meio caminho andado.

– Métricas de Engajamento

Embora um pouco mais “mole” do que os outros números, métricas de engajamento ainda podem ser muito persuasivas. Mostre como os treinamentos aumentaram a satisfação dos colaboradores ou melhoraram a cultura de aprendizagem. Essas são métricas mais qualitativas, mas ainda têm um grande peso.

– Benchmarking

E que tal comparar com a concorrência? Se você tem dados que mostram como suas ações de T&D estão superando as práticas padrão da indústria, ou como estão em pé de igualdade com empresas consideradas as melhores na área de Educação Corporativa, use-os!

– Métricas de Performance

Finalmente, não se esqueça de ligar as iniciativas de Educação Corporativa diretamente à performance dos colaboradores e, consequentemente, da empresa.

Se os colaboradores que passaram por um determinado treinamento estão superando os KPIs (Indicadores-chave de Performance), é isso que você quer destacar.

Portanto, quando chegar a hora de apresentar seu caso para a liderança, vá preparado com números que não só mostram o que você fez, mas também o que a empresa ganhou com isso.

Líderes querem ver que cada Real investido está trazendo um retorno, e é seu trabalho mostrar que quando se investe em pessoas, esse retorno é garantido.

Crie Embaixadores

Nem todo líder precisa ser um expert em T&D, mas alguns “embaixadores” podem fazer maravilhas pelo seu projeto. Identifique líderes que já compreendem a importância da educação corporativa e envolva-os no processo. Eles podem ser seus melhores aliados na hora de convencer outros membros da liderança.

– Identifique Alianças Estratégicas

Primeiramente, olhe ao redor e veja quem já está engajado ou mostra interesse nas ações de T&D. Pode ser um gerente que sempre está disposto a liberar sua equipe para treinamentos ou um diretor que frequentemente fala sobre a importância do desenvolvimento contínuo.

Essas são as pessoas que você quer trazer para o seu lado.

– Capacite-os

A próxima etapa é fornecer a esses potenciais embaixadores as ferramentas de que precisam para serem defensores eficazes.

Isso pode incluir informações exclusivas, treinamento específico ou acesso a métricas de desempenho que eles possam compartilhar com outros líderes.

– Deixe-os Brilhar

Nada é mais empoderador do que o reconhecimento. Quando esses embaixadores começarem a mostrar seu valor, certifique-se de que eles sejam reconhecidos.

Pode ser um elogio em uma reunião de equipe, um depoimento em um relatório anual ou até mesmo um pequeno prêmio. O importante é mostrar que você valoriza o papel deles como embaixadores.

– Mantenha o Diálogo Aberto

Esse é um relacionamento de duas vias. Esteja aberto a receber feedback, ouvir suas preocupações e ajustar sua abordagem de acordo com as informações que eles trazem do “outro lado”. Eles são seus olhos e ouvidos na liderança e podem fornecer insights valiosos.

Ao criar embaixadores dentro da empresa, você não apenas fortalece suas próprias iniciativas de T&D, mas também contribui para uma cultura de aprendizagem mais ampla.

Você estará multiplicando seu alcance e influência, o que, acredite em mim, não passará despercebido pela liderança.

Realize Pilotos

Sejamos honestos, às vezes você só acredita vendo, certo? Então, que tal um projeto-piloto? Demonstre em pequena escala o impacto que uma ação de educação corporativa pode ter.

É um excelente jeito de mostrar a eficácia do programa e de ajustar detalhes antes do lançamento em maior escala.

Para isso: comece pequeno, defina objetivos claros, colete dados, promova melhoria e apresente os resultados.

Feedback é Rei

Se a liderança está envolvida, eles também vão querer saber como as coisas estão indo. Mantenha-os atualizados e peça feedbacks. Isso não só demonstra que você valoriza a opinião deles, mas também abre espaço para ajustes e melhorias contínuas.

É imperativo envolver a liderança em todas as etapas do processo, desde a concepção do programa até a análise dos resultados. Quando a liderança está a bordo, todo o programa de T&D recebe um impulso significativo, não apenas em termos de recursos, mas também em eficácia e alcance.

Neste artigo você encontrou alguns tópicos cruciais, como falar a língua da liderança e mostrar os números que realmente importam. Destacamos a importância de realizar pilotos inteligentes e como tornar o feedback o rei do seu castelo estratégico. E, claro, não podemos esquecer do papel vital dos embaixadores internos que podem servir como seus aliados na conquista do engajamento da liderança.

Ao aplicar estas práticas, você não estará apenas “fazendo seu trabalho”; estará estrategicamente alinhando o T&D com os objetivos de negócio da empresa, transformando o aprendizado em um motor potente para a mudança e o crescimento.

Portanto, arregace as mangas e vamos lá! O mundo da Educação Corporativa é vasto e cheio de oportunidades para aqueles que têm a coragem de se arriscar e a sabedoria para fazer isso de forma estratégica.

E você, estrategista, está mais do que preparado para esse desafio.

Então, que tal colocar essas dicas em prática e levar sua estratégia de Educação Corporativa para o próximo nível?

Tenho certeza de que a liderança vai ficar mais do que impressionada.

E aí, preparado para essa nova fase?

Preparei um checklist para ajudar você nessa missão, acesse aqui.

* Veja algumas referências:
https://www.researchgate.net/publication/347269613_O_papel_dos_lideres_no_processo_de_educacao_corporativa

https://gptw.com.br/conteudo/artigos/educacao-corporativa/

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