Será que existe Cultura de Aprendizagem na sua empresa?

Em cada esquina do nosso vasto mundo, a cultura floresce. Ela está enraizada nas danças, histórias e rituais que celebramos e nas tradições que passamos de geração em geração. De maneira semelhante, dentro das paredes de cada organização, existe uma cultura, muitas vezes invisível, mas profundamente impactante.

Talvez, num primeiro instante, você diga que ainda não foi implementada uma Cultura de Aprendizagem aí onde você está, mas creia: há!

Talvez não seja aquela desejada ou a que levará a empresa aonde ela quer chegar, talvez tenha se criado organicamente ou com base na cultura organizacional, mas ela está lá.

Há ainda a possibilidade de você ter dito que sim, há uma Cultura de Aprendizagem forte na sua empresa… mas será que é mesmo? Ou se trata de uma forte Cultura de Treinamento?

Vamos falar mais sobre isso.

Compreendendo Cultura

Antes de mergulharmos nas nuances da aprendizagem corporativa, é preciso entender o que é cultura. Cultura é a totalidade dos costumes, tradições, crenças, padrões morais e manifestações artísticas e intelectuais que distinguem uma sociedade ou grupo social. É o tecido invisível que liga as pessoas e informa suas ações, decisões e interações.

Quando você vai a um restaurante para comer uma massa e ouvir tarantela, você está experimentando a cultura italiana. Se você gosta de um belo cuscuz com ovo no café da manhã, agradeça à cultura nordestina.

E na sua empresa: qual é a cultura, ou seja, quais são os costumes, padrões, valores presentes no dia a dia? Essa resposta pode começar a apontar para o tipo de cultura presente, se Cultura de Treinamento ou Cultura de Aprendizagem.

Cultura de Treinamento

Muitas das organizações que atendo como Consultora se inclinam para uma cultura de treinamento. E é por meio de algumas dessas características que se percebe isso:

– Centralização no Instrutor: Aqui, o foco está mais no ensino e menos na aprendizagem.

– Eventos Isolados: Os treinamentos são pontuais, sem conexão com outras ações de aprendizagem.

– Abordagem Centralizada: Um departamento ou equipe detém a responsabilidade do treinamento, muitas vezes sem a contribuição direta daqueles que são treinados.

– Departamentalização: O aprendizado ocorre em silos, muitas vezes não se estendendo além de fronteiras departamentais. É como se existissem várias pequenas empresas cuidado dos seus próprios interesses dentro da organização.

– Entrega de Cursos: A ênfase é colocada no número de cursos ministrados e no indicador de horas de treinamento.

Cultura de Aprendizagem

Uma cultura de aprendizagem, por outro lado, tem um foco radicalmente diferente. Ela vê o aprendizado como um processo contínuo e adaptável:

– Centrada no Aluno: O foco é no aprendiz, suas necessidades e conexão dessas necessidades com nos interesses do negócio.

– Aprendizagem Contínua: A aprendizagem é uma jornada, não um destino. Ela é incorporada ao trabalho diário.

– Descentralização: O aprendizado é autodirigido, permitindo que os funcionários busquem conhecimento quando e onde precisarem.

– Cultura Compartilhada: O conhecimento não é guardado, mas sim compartilhado livremente entre todos.

– Entrega de Resultados: Aqui, o sucesso é medido pelos impactos tangíveis e transformacionais da aprendizagem.

Desafios na Implementação de uma Cultura de Aprendizagem Saudável

Enquanto as organizações reconhecem os benefícios inestimáveis de cultivar uma cultura de aprendizagem, a transição do papel para a realidade muitas vezes se depara com obstáculos aparentemente bobos.

Esses desafios, que vão desde estruturais até comportamentais, podem potencialmente frear ou desviar os esforços bem-intencionados, impedindo que as empresas alcancem seu pleno potencial de aprendizagem.

Veja algumas das dificuldades mais comuns encontradas na jornada de implementação de uma cultura de aprendizagem saudável:

1. Burocracia:

A burocracia excessiva pode ser um obstáculo significativo para a implementação de uma cultura de aprendizagem. Procedimentos rígidos e hierarquias podem impedir a implementação de novas estratégias de aprendizagem, tornando difícil para as organizações se adaptarem rapidamente.

2. Falha na Comunicação:

A aprendizagem eficaz requer uma comunicação clara e consistente. Falhas na comunicação podem resultar em confusões, desalinhamento e, em última análise, ineficácia nas iniciativas de aprendizagem.

3. Falta de Apoio da Liderança:

A liderança desempenha um papel crucial na definição da cultura organizacional. Sem o seu apoio ativo, as iniciativas de aprendizagem podem não receber os recursos ou o foco necessários para ter sucesso.

4. Planejamento Insuficiente:

A implementação bem-sucedida de uma cultura de aprendizagem exige um planejamento cuidadoso. Sem objetivos claros, métricas de sucesso e uma estratégia bem definida, os esforços podem se dissipar ou desviar.

5. Desafios do Home Office:

Em uma era onde o trabalho remoto é cada vez mais comum, estabelecer uma cultura de aprendizagem sólida pode ser desafiador. A falta de interações face a face e a possível sensação de isolamento podem dificultar a criação de um ambiente de aprendizagem colaborativo e engajado.

Pilares de uma Cultura de Aprendizagem Saudável:

A estrada para criar uma cultura de aprendizagem em uma organização pode ser repleta de desafios, como discutido anteriormente. No entanto, quando bem-sucedida, essa cultura é marcada por características distintas e benéficas.

O desenvolvimento desses pilares não só fortalece a resiliência e adaptabilidade da organização, mas também capacita seus membros a crescerem continuamente e a se adaptarem ao cenário em constante mudança do mundo dos negócios.

Vamos analisar esses componentes essenciais que compõem uma cultura de aprendizagem robusta e saudável:

1. Estímulo ao Lifelong Learning (Aprendizagem ao Longo da Vida):

Uma cultura de aprendizagem saudável promove a ideia de que a aprendizagem não termina com a conclusão de um curso ou treinamento formal. Ela encoraja os indivíduos a permanecerem curiosos e engajados em seu desenvolvimento pessoal e profissional ao longo de toda a sua carreira e vida.

2. Metodologias de Aprendizagem Diferenciadas:

Ao reconhecer que cada indivíduo aprende de uma maneira única, organizações vanguardistas adotam uma variedade de métodos para atender às diversas necessidades. A aprendizagem baseada em projetos e problemas, por exemplo, coloca os aprendizes no centro da ação, permitindo que eles abordem desafios reais e desenvolvam soluções práticas.

3. Foco em Soluções:

Em vez de se concentrar apenas no conteúdo, uma cultura de aprendizagem robusta prioriza soluções. Isso significa equipar os aprendizes com as ferramentas e habilidades necessárias para superar desafios reais no ambiente de trabalho e em suas vidas.

4. Uso de Metodologias Completas:

Métodos como o 70-20-10 reconhecem que a aprendizagem não ocorre apenas em ambientes formais. Segundo essa metodologia, 70% da aprendizagem vem da experiência no trabalho, 20% de interações sociais e feedback, e apenas 10% de treinamentos formais.

5. Cultura do Erro:

Uma cultura de aprendizagem saudável vê os erros não como falhas, mas como oportunidades de crescimento. Ao invés de punir os erros, essas organizações os utilizam como pontos de aprendizagem, encorajando uma mentalidade de crescimento e inovação.

6. Aliança Estratégica do T&D com a Liderança:

Para que qualquer iniciativa de aprendizagem seja bem-sucedida, é crucial que haja uma aliança sólida entre os departamentos de Treinamento e Desenvolvimento (T&D) e a liderança organizacional. Esta parceria garante que as iniciativas de aprendizagem estejam alinhadas com os objetivos estratégicos da organização e recebam o apoio e recursos necessários.

7. Time capacitado:

Para cultivar e manter uma cultura de aprendizagem saudável, é essencial contar com um time capacitado, composto por profissionais dedicados à missão de promover a aprendizagem contínua. Dentro desse time, o papel do designer instrucional é de suma importância.

O designer instrucional é o profissional por trás de experiências de aprendizagem eficazes. Ele não apenas entende os princípios pedagógicos e andragógicos, mas também sabe como aplicá-los no contexto organizacional e são encarregados de criar conteúdos e experiências que são relevantes, envolventes e alinhadas aos objetivos estratégicos da organização. Além disso, eles são adaptáveis, capazes de incorporar novas tecnologias e metodologias para atender às necessidades em constante evolução dos alunos.

Agora, com todas essas informações, minha sugestão é que você entenda exatamente em que ponto de Cultura sua empresa está.

Em um mundo empresarial que muda rapidamente, a capacidade de uma organização de se adaptar e aprender é mais crucial do que nunca. Ao compreender profundamente o que é a cultura, ao reconhecer os desafios de implementação e ao identificar os pilares essenciais de uma cultura de aprendizagem saudável, as organizações podem posicionar-se na vanguarda da inovação e do crescimento.

Uma cultura de aprendizagem não é apenas uma “caixa” a ser marcada na lista de tarefas de uma empresa; é um investimento contínuo que coloca as pessoas no centro, valorizando seu desenvolvimento contínuo, fomentando a inovação e, consequentemente, impulsionando resultados tangíveis.

Mais do que apenas um conceito, uma cultura de aprendizagem saudável é um imperativo estratégico para as organizações que buscam prosperar no cenário dinâmico de hoje e de amanhã.

Se você quiser conversar mais sobre isso, me chama para um café e aproveitamos para fazer um diagnóstico e esboçar um plano de ação para lidar com o desafio da implementação de uma Cultura de Aprendizagem que agregue à cultura da organização.

É só enviar um email para soani@soanivargas.com.br

* Esse artigo foi escrito inspirado na facilitação do LAB ABTD Cultura de Aprendizagem, o qual conduzi em 22/08/2023

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